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| Foto: Danielle Luce Cardoso |
Era uma terça-feira e você
decidiu que era a hora de terminar tudo o que havia começado para que pudesse
recomeçar sua vida. Nessa terça-feira de noite quente você resolveu se livrar
de tudo o que lhe afligia a alma e tudo o que lhe trazia dor física e
espiritual. Então você começou seus diálogos com seus problemas e um a um foi
tentando resolver os que aparentemente deveriam ser resolvidos primeiro.
Minha
presença diante da situação parecia irrelevante. Eu sentia que você nem
percebia que eu estava ali, observando tudo. Decidi que deveria ir e deixar
você resolvendo seus problemas sem me dar conta que eu fazia parte desse todo
que de tão pesado, estava te trazendo angústia e sofrimento. Pensava que eu
pudesse ser seu alívio em meio a tanta dor... Engano meu.
Quando estava pronta
pra ir, você, aos prantos me pediu desculpas e as palavras que eu mais temia
ouvir, saíram da sua boca: “Acabou. Tudo acabou”. Não estavam sendo ditas a
mim. Não naquele momento. Mas eu sabia que uma hora eu ouviria de você tudo o
que eu jamais desejei ouvir. Esta noite adormecemos nos braços um do outro e a
quarta-feira chegou parecendo que o ontem nem tinha existido.
Passamos o dia
celebrando a nossa alegria e aproveitando ao máximo a companhia um do outro,
sabendo que o nosso fim estava muito próximo. E a noite chegou e novamente
nossos sonhos adormeceram um nos braços do outro.
Quinta-feira veio e o dia
correu tão depressa que me fazia ter vontade de parar o tempo só para te ter ao
meu lado para sempre. A noite desceu sobre nós, fria e escura, quase sem
estrelas. E enquanto eu contemplava o céu, você chegou, me abraçou, me beijou o
rosto e pude sentir que o tão temido momento havia chegado.
E foi assim, numa
quinta-feira de noite fria e sem estrelas que eu ouvi você me dizer tudo o que
eu não queria ouvir. A nossa conversa adentrou a madrugada e entre palavras,
lágrimas, beijos, carinhos e desejos, havia algo de muito maior naquilo tudo.
Essa sensação tomou conta de mim e não queria que ela me abandonasse. Era uma sensação
de quietude e calmaria que provém de um só sentimento: O Amor.
A sexta-feira
chegou e com ela a minha vontade de nunca mais acordar do sonho que era viver
ao seu lado. Então eu dormia... Apenas dormia. Meu corpo não tinha vontade de
se levantar daquela cama. Da sua cama que por muitas vezes se tornara nossa
cama. De vez em quando eu ouvia sua voz me dizendo “levanta... chega de
dormir... acorda... você tem que se alimentar...” e eu não querendo acordar
desse sonho, me dedicava cada vez mais ao travesseiro que abrigava todo seu
perfume e à cama que carregava todo o calor dos nossos corpos. “Abriga-me até
domingo?” – perguntei - Desejando dizer: “Abriga-me por toda a vida.”
O sábado
chegou e tentei fazer com que nossos últimos momentos juntos fossem lindos.
Anoiteceu e novamente dormimos nossos sonhos nos braços um do outro.
O domingo
veio carregado de todo tipo de sentimentos e perguntas sem respostas e
decidimos prolongar um pouco mais esse fim. A tarde chegou tão pesada que
novamente dormimos em nosso abraço. Anoiteceu e eu não queria sair de seus
braços. “Vamos tomar banho juntos?” – eu não queria passar nem um segundo longe
de você – e fizemos amor com tamanha sincronia que imaginei que esse momento
seria eterno. Ficamos acordados até a madrugada na intenção de passar o maior
tempo possível, somente sentindo o calor e a presença um do outro e na madrugada
de domingo, vencidos pelo sono, dormi em seu peito e seus braços me envolvendo
num forte abraço.
A segunda-feira veio trazendo a certeza que não podíamos mais
adiar esse momento. Um dia nunca correu tão depressa. Nessa noite de
segunda-feira adormecemos rápido. Não teve conversa debaixo dos lençóis, não
fizemos amor nem contamos histórias. Apenas beijos de amor e boa noite e
dormimos carregando o peso do fim em nossos corações.
O dia amanheceu e a
terça-feira não queria acordar. Parecia sentir toda a tristeza que traz o fim
de algo tão belo e desejado. E era um final tão lindo que desejamos que nunca
acabasse. “Como é lindo o nosso fim”, eu disse. “É porque é o começo.” – Você
disse – e no meu coração suas palavras eram como beijos quentes de carinho.
E a
hora de você partir chegou. Alguma troca de olhares, alguns beijos e poucas
palavras restavam para serem ditas: “Penso que tenho tanta coisa para te
oferecer ainda...” – tenho tanto Amor guardado em meu peito – pensei. “Obrigada
por tudo” - ele disse, “não te dei nada... só te amei... só te amo... EU AMO!” e o silêncio
falava alto aos nossos corações. “Me
desculpe” – você disse – “por me fazer feliz?” – eu pensei – mas me calei. Não
precisava dizer o quão feliz você me fez. O meu sorriso quando eu estava ao seu
lado já dizia tudo. Minha alegria era evidente e por isso me calei. E deitada
em seu peito, embalada pelo som do seu coração, chorei.
E de mãos dadas saímos pela rua à
espera do momento da despedida.
Um beijo cheio de amor e carinho
selou esse momento.
“Tchau”. “Tchau”. Você partiu e
pela primeira vez não me olhou nos olhos ao se despedir. Não se virou e não me
mandou um beijo lá de longe. Pude ver que não me olhava naquele momento de
despedida para que eu não percebesse que seus olhos estavam cheios das mesmas
lágrimas que inundavam os meus.
E cada lágrima que escorria dos
meus olhos ecoavam essas palavras... Eram suas palavras para sempre gravadas em
meu coração. “Como é lindo o nosso fim”, “É porque é o começo...”...
...e fim.
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=(
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