terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Pérfida Solidão


Foto: Danielle Luce Cardoso
Tenho ansiado cada vez mais por momentos de solidão. 
Ser solitária enquanto se está rodeada por pessoas é extenuante. 
Espero pelo dia que de tão solitário, meu coração não desejará mais ninguém. 
Estou cansada de amar os que não desejam ser amados e por isso decidi não amar. 
Essa é a melhor solução. Isso mesmo! Não amar. Simplesmente.
Então decidi. Está resolvido. Quero a solidão. 
A completa, total, genuína e autêntica solidão. 
Acho que por gostar tanto de ser só e estar só, não desejava filhos. 
As pessoas sempre diziam: “Filhos são uma companhia para a velhice”. 
Para que? Por que eu iria querer companhia? 
Não pretendo ficar velha e se ficar, quero um asilo como companheiro. 
Velhos desmemoriados serão a melhor companhia para uma velhice solitária. 
Eu e minha solidão nos bastamos. Completamo-nos.
Minha alma não tem uma gêmea por ser filha única. E como filha única, sem filhos pretende ficar. Comigo morre os antepassados de minha alma. Comigo não será perpetuada. 
Minha alma não gerará descendentes.
Viverei só para que só possa morrer. 
Que os vermes (ou o fogo – ainda não me decidi) sejam meus companheiros na minha morte. 
E que eu possa não renascer para não precisar viver outra vida de falsa, hipócrita e pérfida solidão.

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