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| Foto: Danielle Luce Cardoso |
Tenho
ansiado cada vez mais por momentos de solidão.
Ser solitária enquanto se está
rodeada por pessoas é extenuante.
Espero pelo dia que de tão solitário, meu
coração não desejará mais ninguém.
Estou cansada de amar os que não desejam ser
amados e por isso decidi não amar.
Essa é a melhor solução. Isso mesmo! Não
amar. Simplesmente.
Então
decidi. Está resolvido. Quero a solidão.
A completa, total, genuína e autêntica
solidão.
Acho que por gostar tanto de ser só e estar só, não desejava filhos.
As pessoas sempre diziam: “Filhos são uma companhia para a velhice”.
Para que?
Por que eu iria querer companhia?
Não pretendo ficar velha e se ficar, quero um
asilo como companheiro.
Velhos desmemoriados serão a melhor companhia para uma
velhice solitária.
Eu e minha solidão nos bastamos. Completamo-nos.
Minha alma
não tem uma gêmea por ser filha única. E como filha única, sem filhos pretende
ficar. Comigo morre os antepassados de minha alma. Comigo não será perpetuada.
Minha alma não gerará descendentes.
Viverei só
para que só possa morrer.
Que os vermes (ou o fogo – ainda não me decidi) sejam
meus companheiros na minha morte.
E que eu possa não renascer para não precisar
viver outra vida de falsa, hipócrita e pérfida solidão.