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| Foto: Danielle Luce Cardoso - Daniel |
De repente um louco adentrou o recinto, com roupas sujas e desconfiança, olhou para mim e disse:
- Moça,
me dá um papel e uma caneta?
-
Caneta não – disse eu – Só tenho lápis.
-
Lápis não moça! Eles vão apagar.
-
Quem diabos são eles? se contente com o lápis – é só o que posso te dar.
E
ele se pôs a escrever. Escrevia nada com coisa alguma. Parou, me olhou e disse:
- Eu
gosto de você. Você gosta de mim?
Era
um louco chamado Daniel.
-
Por que não haveria de gostar Daniel? Perguntei.
Ele
simplesmente ignorou o que eu disse, me deu as costas e se foi.
Horas
mas tarde retornou. De banho tomado e cheio de si. Havia vestido sua melhor
roupa – uma calça verde de hospital psiquiátrico – e foi logo me mostrar.
- Moça,
me dá um papel e uma caneta? - Insistiu ele.
- Só
tenho lápis – disse eu – caneta não.
E
ele se pôs a escrever nada com coisa alguma. Parou, me olhou e sorriu um
sorriso completamente sem dentes e disse:
-
Você tem dó de mim?
- Eu
não, Daniel. Por que haveria de ter? - Eu disse à ele.
- Eu
te amo. Tem dó de mim?
Paralisei-me.
Ele me olhou. Me sorriu um sorriso completamente sem dentes. Me deu as costas e
se foi. O louco Daniel que me ama por conta de um lápis e uma folha de papel.
- Eu
te amo! Tem dó de mim?
E foi-se embora...

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