quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Saudade



Hoje a saudade bateu forte
Quis chorar e chamei por você nos meus pensamentos
você não me escuta mais

Costumávamos ter uma conexão cósmica
Algo que beirava o sobrenatural
Eu pensava em você e você me ouvia
Me respondia
Você pensava em mim e lá estava eu
Pronta pra você

Separados por milhares de quilômetros
mas sempre perto um do outro
nossos corações ligados, conectados
parecia que você sentia sempre quando eu precisava de você

Não sei onde você está agora
Não sei como você está nesse momento

só queria poder dizer o quanto amo você
e que nunca irei te esquecer
que você estará para sempre comigo
onde quer que você vá

que te carrego sempre no meu coração
que o amor que sinto por você é algo que não consigo explicar…

faz anos que não te vejo
muito tempo que não nos falamos
e esse sentimento não me deixa
não vai embora

tentei me aventurar em outros amores
amores novos
antigos
não fazem mais sentido pra mim

só queria uma notícia sua
um "não posso falar com você, mas estou bem, não se preocupe. Ainda estou por aqui"

mas não sei se você está por aqui
não sei por onde você anda
não sei mais nada sobre você
e ainda assim você é tudo o que quero saber nesse momento

não me interessa as outras pessoas
não me interessa o resto do mundo
nesse momento eu só queria que você soubesse o quanto sinto sua falta
o quanto gostaria de estar perto de você

a sensação de não termos vivido tudo que a vida reservou pra gente cresce sempre mais
não tem outra explicação para esse sentimento que insiste em ficar aqui dentro

eu não tenho coragem de mudar meu telefone
na esperança de um dia receber uma ligação sua
de um dia receber uma mensagem dizendo: abre o portão pra mim. Tô aqui. Trouxe pão de queijo recheado. VOLTEI! Voltei pra você e não vou mais embora.

Essa mensagem nunca chega, mas não perco as esperanças.
não quero ir embora desse mundo sem te reencontrar nessa vida
não posso
fomos feitos para estarmos juntos
a vida terá que dar um jeito de fazer com que nos encontremos novamente
ela nos deve isso

a chance de vivermos o que nos foi dado e tirado tão precocemente
merecemos isso



terça-feira, 12 de novembro de 2019

Poesia modernista alterfuturista


Epílogo: A perda
Lá dentro
O prelúdio 
Os primeiros acordes
As primeiras falas
As primeiras reações 
Perdemos a introdução 

Primeiro ato: O ensejo
Na espera do segundo ato
Encenamos aqui fora
A contemplação 
Da lua a nos olhar de cima
De baixo
De frente
De dentro 

Na captura de uma imagem inesperada 
Encenamos aqui fora 
Nosso primeiro ato
De uma peça lúdica 
Incerta
Interativa 
Altermodernista
Tão futurista que beira o clichê 

Segundo ato: A celebração 
Da vida
Das escolhas
Das amizades que levamos
E que nos levam 
De assuntos banais
Corriqueiros
De quebras de paradigmas
De estigmas 
De tudo sempre acaba em sexo

Terceiro ato: Osmose
Tão profundamente absorvidos 
Por aquela atmosfera 
Nos sentíamos parte
Quase inteiros 
Copos meio cheios
Mas Ainda tínhamos fome
De pertencimento 
De vida
De gozo
E famintos partimos 
Para o nosso remate

Epílogo: Solitude 
Todos os outros
ficaram para trás 
Decidimos ceder ao impulso 
A vontade 
O desejo
Fome com a vontade de comer
Enfim nos sentimos saciados
Por ora
Dessa ânsia 
Louca de querer
Sempre um pouco mais 
Do outro
E chegamos à conclusão 
Cada um na sua cama
De que sozinhos
Somos mais completos

FIM

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Sobre o tempo

Há muito não escrevo, não leio, não caminho...
Há muito não viajo, não desejo, não beijo...
Há muito não amo, não sofro, não devo...
Há muito não deito, não grito, não gozo...
Há muito não brigo, não finjo, não iludo...
Há muito não escondo, não luto, não nego...
Há muito não choro, não sinto, não vejo...
Há muito não cheiro, não provo, não ouço...
Há muito não discuto, não penso, não sou...
Há muito não escrevo...
Há muito não vivo.
Foto: Dany Luce 

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Sob o sol... De qualquer lugar do mundo

Foto: Dani Luce


Quase me esqueci do seu nome
Foi um segundo de esquecimento
Que me rendeu um enorme desespero
Por onde andará você agora?
Imagino seu sorriso
Seus lindos cabelos negros
Sua pele bronzeada
Sob o sol de qualquer lugar do mundo
Porque você pertence a todos os lugares
E a lugar nenhum
Me pergunto quem estará ao seu lado agora
Se eu sou caso confidenciado ao amigo
Se ainda faço parte de suas lembranças
Se ainda lembra o meu nome
Por onde andará você agora?
Não se encontra mais em meu gozo
Não mais em minha pele
Não mais onde os olhos alcançam
Quase me esqueci do seu rosto
Olhos castanhos, profundos
Sorriso largo e escandaloso
Nariz protuberante, marcante
Largo maxilar cheio de pêlos
Quase me esqueci da sua voz
Confidências feitas ao acaso
Verbos e sujeitos corrigidos por gosto
Sussurros ao pé do ouvido
Música ruim cantarolada na cama
Palavras ditas em outra língua
Gargalhadas
Quase me esqueci do seu corpo
Forte, atlético, grande e esguio
Braços que me carregavam para toda parte
Pernas batidas por toda a cidade
Mãos fortes, pés fora do normal
Peito largo e aconchegante
No qual me deitava
E ouvia o coração mais apaixonado pela vida que já encontrei
Quase me esqueci do calor do seu corpo
Fogo que corria pelas veias
Paixão que ardia queimando tudo o que via
E só víamos nós
Quase me esqueci do nosso último encontro
Sem lágrimas derramadas na frente um do outro
Tentando esticar as horas por mais tempo juntos
Desfilando a nossa paixão durante madrugada
Aos fantasmas na rua
"Nos vemos em breve"
"Muito breve, eu espero"
Eu espero,







terça-feira, 5 de maio de 2015

Dádivas

Foram tantos os presentes celebrados hoje
Hoje nos presenteamos com a ânsia pelo encontro
Depois veio o presente da espera
Aí então o presente coração batendo forte ao avistarmo-nos
Depois o presente do abraço
Do cheiro
Do beijo
Veio então o presente do mercado (lugar que amo me perder)
O presente da espera na fila (Casa Cheia, sempre cheia)
O presente brinde com melhor cerveja da casa bebida no balcão
O presente almoço saboreado a dois
Então veio o presente caminhar nas ruas
O presente "pai, tenho intenções com sua filha e são boas, garanto"
Depois o presente fila para ingressos
O presente pipoca (com direito a brinde-copo de super-herói)
O presente filme que superou algumas expectativas
Presente lágrimas no final
Presente os dois últimos na sala de cinema
De repente o presente "tem morros, não gosto de morros", então vamos de ônibus
O presente procura por um banco na praça
O presente encontro de um banco solitário na praça
Presente conversa e risos no banco da praça
Presente Espresso Curto versus Ice Cappuccino (ainda tenho o chocolate)
O presente escolha de cerveja-presente no posto
O presente sentar no seu melhor lugar do mundo (que está se tornando o meu preferido das minhas segundas sagradas)
Presente ouvir e contar histórias
E teve o presente quase nos embriagar
O presente caminhada até o destino
O presente beijos pelo caminho
O presente salgado na lanchonete 
O presente ter que dizer até breve
O presente beijo mandado de longe junto com um tchau
E...
Para todos os outros esse fim estaria perfeito
Presente dia perfeito com fim digno de filme de Wood Allen
Mas pra você eu posso dizer
Faltou a porra do algodão doce.



quinta-feira, 23 de abril de 2015

Gavetas - Um pequeno diálogo

- Então você nunca mais me chamará de "Amor"?
- Uma vez que se entra na "Gaveta de Amores sem Futuro", receberás um nome. Este nome será como irei te chamar daí pra frente. Mas aquieta-te. Quando estiver nessa gaveta, serão raras as vezes que te chamarei. Esporadicamente eu espio minhas gavetas, confiro se os amores estão todos lá e, às vezes, por descuido, distração ou algum querer de minha parte, algum amor escapa de alguma gaveta. Mas eles já têm nome, é só chamá-lo de volta e uma vez que o nome é dado, não deixará de ser amor, mas como "Amor" nunca mais será chamado... Mas aquieta-te. Você não tem com o que se preocupar. Você está guardado na "Gaveta de Amores ainda não Vividos".




quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sei Pìu Bello (Amor meu)

Esse nosso amor-fogo entre quatro paredes...
Tenho vontade de gritá-lo ao mundo
Tenho vontade de deixá-lo guardado
Escondido dentro do meu quarto
Debaixo dos meus lençóis
Tenho vontade de jogá-lo ao bel-prazer do vento
Tenho vontade de engarrafá-lo
Esconder debaixo dos travesseiros

Esse nosso amor-arte no meu leito...
Tenho vontade de expô-lo em todas as grandes galerias
Tenho vontade de escondê-lo dos mecenas
Tenho vontade de torná-lo segredo
Vendê-lo para o primeiro mercante colecionador

Esse nosso amor-mordida no meu ventre...
Tenho vontade de gemer todos os gozos
Tenho vontade de suar todos os prazeres
Suspirar todos os saciamentos
Adormecer todas as exaustões
Acordar todos as necessidades

Esse nosso amor-risadas na minha cama
Tenho vontade de trazer à tona
Tenho vontade de cobrir os olhos
Fechar todas as portas e janelas
Para poder escancarar o verbo "amo"

Esse nosso amor-liberdade de anseios
Desejo tê-lo, desejo dá-lo, desejo sê-lo...
...Esse nosso amor-desejo