terça-feira, 10 de abril de 2012

Segundo dia de trabalho no convento


Foto: Danielle Luce Cardoso

- Bom dia moça! – Disse um senhor elegante de chapéu na cabeça.
- Bom dia! – respondi com um sorriso – Tudo bem com o senhor?
- Tudo sim. Uma carinha nova aí dentro hoje?
- Sim, mas vai ser por pouco tempo.
- Ah! Que pena!
- Em que posso ajudar o senhor?
- Vim pagar meu dízimo.
- Seu nome, por favor.
- Alírio. Não tem outro. Alírio sou eu mesmo. – e pagou seu dízimo.
- Muito obrigada Sr. Alírio. Vai com Deus.
- Mas sabe moça, eu escrevo alguns versinhos...
- É mesmo Sr. Alírio? Adoro ler poesias. Traga um dia para que eu possa ler.
- Dizem que sou poeta, mas poeta não sou. Faço versinhos, sou apenas um trovador.
Eu, cheia de tarefas, parei tudo que estava fazendo e me coloquei a ouvir. Sr. Alírio, um jovem senhor de 90 anos de idade. Poeta não. Trovador. Cantou-me seus versos por quase uma hora. Por quase uma hora me esqueci o que exatamente eu fazia naquele lugar.
Cantou, contou, recitou e disse:
- Obrigado moça. Fica com Deus. - E partiu.
Instantes depois estava de volta o Sr. Alírio. Nas mãos o doce da vida. Coisas simples que nos fazem felizes. Dezenas de balinhas de todos os sabores. E meu dia foi adoçado pela gentileza de um jovem senhor que me agradeceu por ter ouvidos de ouvir.
Imagina! Eu é que agradeço Sr. Alírio, por ter sido a escolhida. A pessoa de sorte que o Sr. Escolheu para ouvir suas palavras.
- Vai com Deus Sr. Alírio!
E se foi deixando meu coração quase não cabendo no peito de tanta felicidade.